📑 Resumo de Julho/2025 – Automonitoramento
Sono: Oscilou entre noites curtas (4–6h) e algumas mais longas (8–9h). Apesar de alguns ciclos completos, a qualidade permaneceu baixa: despertares noturnos, pouco sono profundo e relatos de fadiga ao acordar. Insônia em alguns dias após ajustes de medicação.
Humor e Emoções: Oscilações marcantes com dias de choro, irritabilidade, angústia e confusão mental. Períodos curtos de alívio e gratidão, especialmente quando conseguiu resolver pendências ou organizar a casa.
Ansiedade e Evitação: Dificuldade constante em lidar com WhatsApp, tarefas do RH e demandas sociais. Procrastinação recorrente, acompanhada de medo de desagradar e autocobrança.
Medicações: Uso frequente de Ritalina (10–25mg/dia, doses fracionadas). Retorno e testes com Quetiapina, que geraram tanto melhora do sono quanto episódios de sonolência excessiva e mal-estar. Lamotrigina mantida. Coca Zero e café apareceram como gatilhos de ansiedade e alteração no sono.
Corpo e Energia: Queixas de indisposição física, estufamento, dores nas costas e percepção de ganho de peso rápido, impactando autoestima e motivação.
Conquistas:
Organização parcial da casa e resolução de pendências (chuveiro, guarda-roupa, mensagens importantes).
Caminhadas na praia, uso da esteira e prática de pequenos cuidados pessoais.
Redução pontual da Ritalina em alguns dias, com estratégia de adiar a primeira dose.
Investimento em terapia e materiais de DBT.
Relacionamentos: Interações positivas com Leonardo em alguns momentos de apoio e cuidado. Porém, também surgiram conflitos leves, irritabilidade e dificuldade de socializar, especialmente em conversas sobre bebê.
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🔬 Análise Especializada
1. Neurociência e Neuropsicologia
Oscilações de humor: O padrão descrito (angústia intensa seguida de períodos de melhora súbita) sugere forte influência neuroquímica, provavelmente dopaminérgica e noradrenérgica, associada ao TDAH e ao TAB. A gestação potencializa essa vulnerabilidade por alterações hormonais que modulam neurotransmissores (estrogênio e progesterona têm papel direto na regulação do GABA e da serotonina).
Sono e cognição: Déficit de sono profundo (essencial para consolidação de memória, regulação emocional e reparação metabólica) pode explicar a confusão mental, dificuldade de planejamento e baixa energia. A baixa eficiência do sono prejudica a função executiva e amplia a impulsividade.
Funções executivas: As anotações revelam comprometimento em planejamento, priorização e tomada de decisão. Isso é típico de sobrecarga do córtex pré-frontal em contextos de TDAH + humor instável. A procrastinação e o medo de desapontar indicam também hiperativação da amígdala, reforçando a esquiva.
2. Psicologia Clínica
Ansiedade social/digital: O desconforto com WhatsApp e mensagens é consistente com padrões de ansiedade social mediados por evitação. Esse comportamento, embora reduza o estresse imediato, mantém o ciclo de culpa e sobrecarga futura.
Autoimagem e autoestima: O ganho de peso percebido e as mudanças corporais da gestação estão impactando diretamente a autocrítica, elevando a angústia. Há risco de manutenção de pensamentos desfuncionais de incapacidade materna (“se não consigo organizar a casa, como vou cuidar da bebê?”).
Estratégias adaptativas: Apesar das dificuldades, aparecem recursos importantes: registrar emoções, buscar terapia, imprimir materiais de DBT, reconhecer gatilhos (cafeína, excesso de mensagens), adiar doses da Ritalina para ter mais autonomia. Esses pontos são sinais de autorregulação em construção.
3. Recomendações Baseadas em Evidências
1. Sono como prioridade terapêutica – estruturar higiene do sono rigorosa (ambiente sem telas, horários fixos, ritual de relaxamento). Estudos mostram que estabilizar o sono é central para reduzir sintomas de TAB e TDAH.
2. Técnicas de DBT – especialmente tolerância ao mal-estar e regulação emocional, já iniciadas. Podem reduzir a reatividade emocional e melhorar a autoeficácia.
3. Exposição graduada ao WhatsApp – pequenas metas de resposta (2–3 mensagens/dia), para quebrar o ciclo de evitação sem gerar sobrecarga.
4. Autocompaixão – exercícios de autoaceitação e normalização da oscilação de humor gestacional podem reduzir a culpa e a autocrítica.
5. Nutrição e corpo – alimentação fracionada e hidratação podem melhorar tanto energia quanto humor, reduzindo estufamento. A consulta nutricional já foi um passo correto.
6. Rotina mínima estruturada – manter 3 âncoras diárias (acordar, refeição principal, hora de dormir) como forma de dar previsibilidade ao cérebro, fortalecendo o córtex pré-frontal.
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